• Dr Caio Catalani

Testes alérgicos para Alimentos em cães e gatos



Os testes sorológicos para alimentos em medicina veterinária há décadas seguem levantando grande controvérsia, especialmente em nosso País. Na Europa e nos EUA, entretanto, grandes laboratórios atualmente apresentam número muito grande de testes realizados com resultados satisfatórios.

Esta “lenda negra” vem de muito tempo, quando os anticorpos e antígenos utilizados não eram “muito bons” no início da década de 90, e apenas se dosava os anticorpos da classe IgE, que estão envolvidos exclusivamente nas reações de hipersensibilidade tipo I. Hoje em dia o assunto mudou totalmente com a qualidade dos reativos e a dosagem simultânea de IgE e de IgG. Sim, por que de maneira diferente da alergia a ambientais (como vemos na dermatite atópica canina - DAC), a alergia alimentar envolve diferentes tipos de hipersensibilidades e não apenas com a produção de IgE. Desta forma a detecção de IgE e IgG servem como simples MARCADORES DE CONTATO do animal com o alimento estudado. Isto tudo elevou muito a confiabilidade destes testes.

Outro grande erro da maioria dos veterinários está em dizer que tais testes não são um diagnóstico confiável. De fato, não são diagnóstico de alergia alimentar, já que o ÚNICO DIAGNÓSTICO É A DIETA DE ELIMINAÇÃO e posterior provocação. Estes testes apenas são UMA FERRAMENTE MUITO ÚTIL PARA A FORMULAÇÃO DA DIETA DE ELIMINAÇÃO. É como nos casos envolvendo alérgenos ambientais (já que o diagnóstico da DAC também é sempre clínico), os testes servem apenas para ajudar no FORMULAÇÃO DE UMA IMUNOTERAPIA EFETIVA.

A vantagem destes testes para alimentos é que os resultados têm um valor preditivo NEGATIVO MUITO ALTO, ou seja: aqueles alimentos negativos ao teste podem ser incluídos na dieta de eliminação sem risco de iniciar uma reação no animal, economizando tempo e esforço ao proprietário e ao veterinário no diagnóstico final, evitando também muitos casos o uso de rações hipoalergênicas que são caras e nem sempre funcionam ou então de se propor uma dieta caseira de pouca aceitação pelo proprietário e muitas vezes carentes de nutrientes essenciais como proteínas, vitaminas, mineriais ou ácidos graxos fundamentais para um bom estado de saúde a longo prazo do animal e sobretudo de sua pele.

Ao final, o interessante é que o animal coma uma ração que saibamos que não contenha produtos que lhe vão gerar problemas, ainda que neste caminho acabemos descartando alimentos “a mais”. Sim, não é por que deu positivo no teste que aquele alimento seja alergênico ao animal: o resultado simplesmente nos diz que houve contato e, portanto, deve ficar fora da dieta de eliminação!

Após a confirmação da alergia alimentar com a melhora clínica, os demais alimentos serão oferecidos novamente, um a um, até a determinação do alimento problema. Ou seja: o animal poderá voltar a comer uma dieta balanceada e adequada ao seu problema alérgico evitando-se apenas os alimentos que incitam as crises.

Com relação a interpretação dos testes de IgE e IgG, um alimento deve ser descartado da composição da dieta de eliminação sempre que algum deles (ou ambos) sejam positivos, já que alergia alimentária, como já foi dito, pode ser mediada por diferentes tipos de hipersensibilidade e assim diferentes classes de anticorpos podem estar ou não envolvidas.

Baseado nestes princípios, tanto em nosso trabalho diário como em alguns estudos, se demonstra que 85% dos animais que tem apenas alergia alimentar e que seguem uma dieta baseada nos resultados dos testes apresentam uma clara melhora quando não o desaparecimento total dos sintomas.

Também é muito importante destacar que a alergia aos alérgenos ambientais e a alergia alimentar seguem unidas em uma porcentagem muito maior de cães do que se acreditava antes da nova geração de testes. Por isso se testarmos apenas uma delas, por exemplo para alérgenos ambientais, temos uma alta chance de que o resultado do tratamento não seja o esperado, sendo de fato um dos fatores mais frequentes de uma baixa eficácia da imunoterapia (vacina anti-alérgica para atopia), já que hoje se admite que cerca de 30 a 40% dos cães com dermatite atópica respondem positivamente à mudança de dieta (desde que adequadamente formuladas) confirmando que estes pacientes sofrem das duas doenças alérgicas ao mesmo tempo.

Dr. Caio Catalani

Médico Veterinário

Diretor do Instituto Allergen de Alergologia Veterinária


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